18 de ago de 2010

A OBRA DE BENEDETTO CROCE





                        por Pedro Luso de Carvalho

        Benedetto Croce, historiador, escritor, filósofo e político italiano, nasceu em 25 de fevereiro de 1866, em Pescasseroli, na região de Abruzzo, e faleceu no dia 20 de novembro de 1952, em Nápoles. Foi senador (1910) e ministro da educação (1920-21). Croce apoiou Benito Mussolini no início do governo fascista, mas não demorou para que passasse a fazer-lhe oposição. Exerceu grande influencia sobre o pensamento literário e artístico de seu país.

        Dentre as obras de Croce, que compõem 44 volumes, a mais importante é Breviário de Estética. O conjunto de sua obra está dividido em: a) Filosofia do Espírito; b) Ensaios Filosóficos; c) Escritos de História Literária e Política. A obra de Croce é extremamente variada, uma verdadeira universitas litterarum, como, por exemplo, ensaios sobre Goethe, Shakespeare, Ariosto, Corneille, etc. Rudolf Bourchard disse sobre a obra de Benedetto Croce: Não é fácil apresentar, em breve síntese, o único grande sistema da Europa contemporanea. Não só a complexidade do seu pensamento, mas também a quantidade dos seus escritos concorrem para dificultar um apanhado geral sem grandes riscos de mutilações. Transcrevo o início do livro A POESIA, de Croce:

        “Na consciencia estética atual vem incidindo, cada vez mais profundamente, a diferença entre Poesia e Literatura, já muito sentida na época romantica, embora percebida apenas por alguns aspectos particulares nas épocas precedentes, inclusive a antiguidade greco-latina. Hoje, esta diferença em geral assume a forma de contrastes com certo desprezo para com a “literatura”, que só encontra defensores entre os destemidos que sentem uma espécie de prazer em parecerem retrógrados e reacionários. O contraste e o desprezo não encontram uma justificativa lógica e os motivos que conduzem à própria distinção nem sempre são bons, fazendo com que a diferença nem sempre corresponda à verdade. No entanto, ela persiste substancialmente, e, vagarosamente afirmada nos dias atuais, se mostra necessária e útil para ajuizar e desfazer confuções que, de outro modo, continuariam a nos atormentar.

        Mas o que é literatura? Qual a sua definição, isto é, a sua natureza, seu nascimento ou genese no espírito humano? Em decorrencia disso, qual a sua função? Procurei em muitos livros, em quase todos os de estética, poética e retórica e (certamente por não ter procurado bem) não encontrei resposta para a pegunta ou achei-a insatisfatória. Eu mesmo, que há muito tempo estudo poesia e literatura, me apercebi de nunca ter assumido a resolução de penetrá-laa fundo, nem de tratar à altura para responder todas as dificuldades e objeções que agora me proponho. Uma coisa é possuir um conceito e outra é ter consciencia dele, ou melhor, redescobri-lo renovadamente e defini-lo em função das dificuldades surgidas e das objeções propostas. E, no entanto, isto é o que o homem sempre se vê obrigado a fazer, pois, ao contrário dos animais e dos deuses, está condenado a pensar”.





REFERENCIA:
CROCE, Benedetto. A Poesia. Introdução à Crítica e História da Poesia e da Literatura. Tradução de Flávio Loureiro Chaves. Edições da Faculdade de Filosofia da Universidade Federal do R. G. Do Sul. Porto Alegre, 1967, págs. 5-6.
LAROUSSE, Petit. Dictionnaire Encyclopédique Pour Tous. 24ª tirage. Paris: Librairie Larousse, 1966.