22 de jul de 2009

UM EXEMPLO DE PERSEVERANÇA


Desembargador cego assumirá no Tribunal do Trabalho do Paraná. Único integrante cego do Ministério Público no País, o procurador Ricardo Tadeu da Fonseca, 50 de idade, será também o primeiro juiz portador de deficiência visual. O Diário Oficial publicou na sexta-feira (17) a nomeação dele - pelo presidente Lula - como desembargador do TRT da 9ª Região, com sede em Curitiba (PR). Ele foi o escolhido de uma lista tríplice apresentada pelo tribunal. "Estou realizando um sonho", declarou. Há 18 anos, ele atuava no Ministério Público do Trabalho, inicialmente em Campinas (SP) e nos últimos anos na capital paranaense. A posse na magistratura será na próxima semana.


Fonseca aprendeu a linguagem braile, mas no trabalho utiliza a tecnologia. Como desembargador do TRT-9, acredita que poderá se valer de assessores que leiam processos ou descrevam fatos. "Vou ter como fazer um juízo de valor", acentua. "Minha situação é a mesma de um juiz que se serve do tradutor juramentado". Fonseca foi um dos que redigiram a Convenção Internacional sobre Direitos de Pessoas com Deficiência, aprovada pela Organização das Nações Unidas em dezembro de 2006. 


Uma paralisia cerebral no momento do nascimento provocou perda parcial de visão em Ricardo Tadeu da Fonseca. Mesmo assim, ele conseguiu estudar em escola regular. Aos 23 anos, quando estava no terceiro ano da Faculdade de Direito, ficou totalmente privado da visão. Com o apoio dos colegas, que gravavam o conteúdo de livros e as aulas, formou-se. Depois que deixou os bancos escolares, as dificuldades começaram a aparecer. "Ninguém me dava emprego", relembra. O currículo agradava, ele era chamado para entrevistas, mas os possíveis empregadores desistiam quando viam que era cego. 


A contratação para assessorar um desembargador do TRT de Campinas renovou suas esperanças. Incentivado pelo magistrado, Fonseca fez concurso para juiz em 1990. Mas, foi cortado antes de concluir o processo, em razão do exame de saúde. No ano seguinte, passou em sexto lugar no concurso de procurador do Trabalho, superando mais de cinco mil candidatos. 


Em 2002, mu
dou-se para Curitiba, onde fez o doutorado na Universidade Federal do Paraná. Além do trabalho na Procuradoria, ele é professor convidado na Pontifícia Universidade Católica do Paraná e no Centro Universitário Curitiba em cursos de pós-graduação. "Estou indo para a magistratura com a sensação do dever cumprido em todas as tarefas que me foram postas a cumprir - e doravante quero ser sensato, sábio e justo".


By: Espaço Vital.