por Pedro Luso de Carvalho
Este texto foi escrito no ano de 1921 pelo grande jurista Rui Barbosa, patrono dos Advogados do Brasil e do Senado da República. Embora algumas dezenas de anos nos separem desse período de tempo, essa crítica em nada precisaria ser mudada para denunciar a sociedade corrupta dos dias que correm, neste ano de 2011, como se verá:
"Dá-se com esses administradores, para quem se baralharam as noções de probidade, coisa análoga à que sucede com os velhos pintados. Bem sabem eles que se pintam. Bem lhes estão vendo os demais a pintura. Mas fazem garbo das cãs azevichadas, como se ninguém lhes soubesse da tingidura visível".
Prossegue Rui: "Da mesma sorte entre os jornalistas, que se alquilam, ou vendem, se truaneia o farsalhão da publicidade honesta. O público aponta, a dedo, vendidos e compradores, conta pelos dedos da mão os preços, desembolsos e embolsos das compras e vendas. Mas os personagens da comédia, desempambados e indiferentes à vaia geral das consciências, continuam a mercar adulações, e traficar em verrinas, como se a galeria não estivesse farta de conhecer quanto custa ao contribuinte roubado cada uma dessas gabanças ou diatribes".
In Rui Barbosa e o Exército. Conferência às Classes Armadas. Casa de Rui Barbosa, 1949, p. 41
